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Manuela Bentes

Outros sentidos… Sobre o discurso político…


Bem sei que já passou um tempo razoável sobre a tomada de posse de Obama como Presidente dos Estados Unidos. Bem sei que não foi a nós que dirigiu as palavras do discurso que então proferiu mas, sei também que estamos necessitados de exemplos bons que poderemos aproveitar…
Então, vale a pena retomar esse passado recente para salientar que não é fácil elaborar um texto convincente como não é fácil o seu comentário… Sobretudo porque se trata de lembrar o discurso da posse de Barack Obama e, se o texto se deve a um autor treinado, os comentários a seguir foram múltiplos e até discordantes. Ainda arrisco o meu parecer mesmo assim porque, estou convicta de que, escreva o que escrever, isso não será mais que um apoio de leitura ou um ponto de partida para outras leituras, sempre possíveis… O meu objectivo, esse, será sempre formativo, naturalmente!
Segui atenta, as palavras proferidas por Obama e tenho de confessar que me rendi à clareza e simplicidade da mensagem. Foi um exemplo evidente do que é preciso dizer para fazer logo a seguir. Isto quer dizer que a clareza e fluência de palavras seleccionadas, não cumprindo com rigor a arte oratória do político habitual inflamado, trouxeram um ritmo e um sentido capazes de prender qualquer ouvinte, longe ou perto, durante 18 minutos de uma tarde de Janeiro muito fria. Lá e cá.
Fui uma simples ouvinte, à distância e, mesmo à distância, eu senti que todos precisamos de políticos que, virados para mim, através do ecrã televisivo, me digam como Obama virado para os seus terá dito, “nós “ e que esse nós permita sentir que haverá um acordo ou um compromisso que é comum e colectivo.
Tenha ou não havido críticos desiludidos com o discurso de tomada de posse de Obama, por se esperar um texto longo e empolgante, o novo Presidente dos Estados Unidos ficou-se pela simplicidade, pelas ideias claras da América para o mundo. Isso entusiasmou-me porque me agrada ouvir o que é possível de concretização! Lá ou cá, o que é excesso atinge a fantasia, ronda o oco e acaba em desilusão…
Muitos então não perdoaram a falta de adornos de estilo, as metáforas e hipérboles naturais para um Presidente. Nada mais tonto! Nem a oratória se banalizou, nem Jon Favreu, apesar dos seus 27 anos, deixou de estar à altura de um discurso para um presidente. A mensagem de Obama mostrou sobretudo que, já como Presidente, deixou de imediato, para segundo plano, as palavras encantatórias da campanha eleitoral. Da teoria, a concentração nos actos! Um bom exemplo para seguir…
Obama entrou na História pelo efeito mediático que provocou, sobretudo pela sugestão de mudança que começa sempre em cada um de nós. Não tenhamos dúvidas! Sejam quais forem as análises aos discursos do novo Presidente americano, o que nos disse nesse primeiro texto, há-de ter um efeito formativo e, sobretudo, simbólico e de compromisso.
Foram três partes de um texto que não encantou o mundo e três tempos que se concentram num enorme desafio — grande e sério mas de possível resolução! Obama, o sujeito do discurso, que se confessou humilde e consciente, apelou vivamente à união, à força, à sinceridade, à solidariedade. Por isso referiu a herança da diversidade como uma força e um apelo à responsabilidade comum. Por isso o eu inicial deu a vez ao nós e esse plural irá ser, terá de ser uma fonte de confiança, de igualdade, de liberdade, uma espécie de “nosso credo” para moldar um destino…
Paralelamente, e de acordo com as regras do texto argumentativo, houve exemplos reais, claros, de confirmação. Assim tem de ser!
Nas palavras, aparentemente fáceis, de um discurso mais comum que o esperado, as imagens simples e sugestivas transportaram ao passado e foram o incentivo para um futuro que se quer mais justo. Que pode ser melhor!
Um texto claro e simples e que foi um apelo visível à força indispensável para suportar todas as tempestades que possam surgir… Um discurso que foi um teste à recusa de uma viagem que não se pode interromper… E um agradecimento à dádiva de liberdade que uma nação inteira terá de saber entregar às gerações do futuro. Porque é possível outro país e outro mundo…
Eu teria votado Obama, continuo à espera de um Presidente assim…


Fonte: imediato


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